O Instituto Nacional do Seguro Social promove uma mudança relevante na forma de identificar beneficiários e, com isso, altera a rotina de milhões de brasileiros. A partir de uma nova regra oficial, o órgão passa a exigir biometria vinculada à nova Carteira de Identidade Nacional, a CIN, como condição para conceder e manter benefícios previdenciários e assistenciais. A implementação acontece de forma gradual, entre 2025 e 2028, e já desperta atenção de aposentados, pensionistas e inscritos no BPC.
Segundo o INSS, a decisão busca reforçar a segurança dos pagamentos, modernizar os sistemas digitais e combater fraudes que drenam recursos públicos todos os anos. Ainda assim, o instituto garante uma transição progressiva, com avisos prévios, períodos de adaptação e regras especiais para públicos em situação de vulnerabilidade.
INSS torna biometria requisito obrigatório
Desde novembro de 2025, quem solicita um novo benefício já precisa ter biometria registrada em alguma base oficial do governo. Nesse primeiro momento, o sistema aceita dados cadastrados em diferentes órgãos públicos. Entre eles estão o Tribunal Superior Eleitoral, por meio do título de eleitor, os departamentos estaduais de trânsito, com a CNH, e a própria Carteira de Identidade Nacional.
No entanto, a exigência se torna mais rígida ao longo do tempo. A partir de 2026, quem não tiver biometria em nenhuma dessas bases não conseguirá avançar no pedido de benefício sem antes emitir a CIN. Para o INSS, o cruzamento biométrico garante que o dinheiro chegue à pessoa certa e evita pagamentos indevidos.
Calendário define etapas da nova exigência
Para evitar bloqueios em massa e permitir que a população se adapte, o INSS dividiu a implantação em fases bem definidas. Cada etapa amplia o alcance da regra e reduz exceções.
Desde novembro de 2025, a biometria já integra os novos pedidos de benefícios. Quem possui dados válidos no TSE, na CNH ou na CIN consegue seguir normalmente com a solicitação.
Até o fim de abril de 2026, o instituto mantém uma flexibilização para benefícios de curta duração. Nesse grupo entram o auxílio-doença, o salário-maternidade e a pensão por morte. Durante esse período, o foco do órgão está na orientação dos segurados e no cadastramento gradual da biometria.
A partir de maio de 2026, a regra fica mais rígida. Nesse ponto, quem solicitar um novo benefício e não tiver biometria registrada será obrigado a emitir a nova identidade para dar continuidade ao processo.
Em janeiro de 2027, a exigência passa a alcançar também a renovação de benefícios sociais, inclusive os assistenciais. Já em janeiro de 2028, a CIN se torna a única base biométrica aceita pelo INSS, tanto para novos pedidos quanto para a manutenção de benefícios em andamento.
Beneficiários atuais precisam agir imediatamente?
Uma dúvida comum envolve quem já recebe aposentadoria, pensão ou BPC. De acordo com o INSS, não existe urgência geral para todos. Beneficiários que já possuem biometria válida no título de eleitor ou na CNH não terão o pagamento suspenso automaticamente em 2026, desde que os dados estejam regulares.
Mesmo assim, o órgão recomenda a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional. Isso porque, nos próximos anos, os sistemas do governo devem intensificar o cruzamento automático de informações para a Prova de Vida. Nesse cenário, a CIN passa a ser a principal referência biométrica.
Nova Carteira de Identidade Nacional ganha papel central
A CIN se consolida como o principal documento de identificação do país. Ela unifica o CPF como número único nacional e já nasce integrada a bases digitais do governo federal. Além disso, incorpora biometria facial e impressões digitais.
Entre os principais pontos do documento estão a gratuidade da primeira via, a validade nacional padronizada e a integração com serviços digitais. Para o INSS, a CIN facilita a automação da Prova de Vida e reduz a necessidade de deslocamentos até bancos ou agências.
Prova de Vida passa a ser automática
Com a ampliação do uso da biometria, a Prova de Vida muda na prática. Em vez de exigir comparecimento presencial, o INSS prioriza o cruzamento de dados entre diferentes órgãos públicos. Registros de saúde, emissão de documentos, acessos a serviços digitais e atualizações no Gov.br passam a servir como confirmação de que o beneficiário está ativo.
A biometria facial vinculada à CIN se torna a principal ferramenta de validação. Com isso, o instituto espera diminuir bloqueios indevidos e tornar o processo mais simples para quem depende do benefício.
Regra prevê exceções para públicos vulneráveis
Apesar da exigência, o INSS mantém dispensas importantes. Idosos com mais de oitenta anos, pessoas acamadas, segurados com dificuldade severa de locomoção, moradores de áreas de difícil acesso, brasileiros que vivem no exterior e pessoas em situação de rua não precisam cumprir a obrigatoriedade imediata, desde que apresentem comprovação.
Nessas situações, o instituto adota procedimentos alternativos para garantir a continuidade dos pagamentos e evitar prejuízos aos beneficiários.
Como evitar problemas a partir de 2026
O INSS orienta que os segurados tomem medidas simples para não enfrentar transtornos no futuro. A primeira delas envolve verificar se a biometria já está cadastrada em alguma base oficial. Isso pode ser feito pelo portal Gov.br, pelo aplicativo Meu INSS ou conferindo se o título de eleitor e a CNH estão atualizados.
Outra recomendação é emitir a nova Carteira de Identidade Nacional. O agendamento ocorre no órgão de identificação do estado, e a primeira via não tem custo. Além disso, o segurado deve acompanhar as comunicações oficiais, já que o INSS promete avisar com antecedência quem precisar regularizar a situação, sem bloqueio imediato do pagamento.
Regras da aposentadoria também avançam em 2026
Além das mudanças na identificação, o ano de 2026 traz novos ajustes nas regras de transição da Reforma da Previdência. No sistema de pontos, a exigência sobe para noventa e três pontos para mulheres e cento e três pontos para homens.
Já na regra da idade mínima progressiva, os limites passam a ser de cinquenta e nove anos e seis meses para mulheres e sessenta e quatro anos e seis meses para homens. Essas alterações impactam quem ainda planeja se aposentar e exigem atenção redobrada no momento de fazer o pedido.
Com as novas regras, o INSS reforça a aposta na digitalização e na segurança, enquanto os beneficiários precisam se adaptar para garantir a continuidade dos pagamentos.